domingo, 13 de dezembro de 2009

SILENO DISSE



"O demônio foi o primeiro líder radical, lutando violentamente contra o sistema."

(Millor Fernandes)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Deuses no Mundo Grego

"Se você gostasse de beber ou ir ao teatro, Dionísio seria sua divindade. Embebedar-se, atuar ou assistir a uma peça era adorá-lo. (...) Sexo? Afrodite seria a deusa certa, fosse você homem ou mulher, heterossexual ou homossexual - fazendo amor, você estava venerando-a."

[É assim que começa uma das matérias da revista BBC História (Mundo Grego - dos deuses e mitos às guerras e heróis). A matéria "Assim na terra como no céu" é interessante para vermos como a relação entre humanos e deuses se dava de forma bem diferente da que estamos acostumados. Selecionei algumas passagens interessantes do texto para que possamos cultuar Dionísio de forma mais apropriada.]

Os gregos não eram do tipo que se ajoelhavam, cantavam hinos religiosos ou pregavam um modo de vida casto. Em vez disso, embebedar-se e fazer amor eram algumas das maneiras habituais de venerar suas divindades.

Mitos não devem ser encarados como meras tentativas de se explicar aquilo que não se consegue entender. Eles são, acima de tudo, um retrato do homem e de sua maneira de se relacionar com o mundo. E poucos conseguiram pintar um retrato tão detalhado e profundo quanto os antigos gregos.

Antigas preces nos mostram que era dessa maneira que funcionava a relação entre homens e deuses. O suplicante primeiro identificava o deus (havia uma entidade certa para cada aspecto da vida); a seguir, listava tudo o que um já havia feito para o outro no passado; finalmente, fazia seu pedido e prometia que, se fosse atendido, o deus receberia as mais belas oferendas. Deuses antigos eram abertamente propensos a conceder favores - afinal, acreditava-se que, uma vez que não recebessem mais preces ou sacrifícios, eles morreriam. Não havia razão para sua existência se eles não pudessem exercer seu poder.

Um segundo aspecto atrativo dos deuses antigos é que havia uma infinidade deles, cada um com seus próprios interesses - nenhum especialmente espiritual, moral ou ético. Por exemplo: se você gostasse de beber ou ir ao teatro, Dionísio seria sua divindade. Embebedar-se, atuar ou assistir a uma peça era adorá-lo. Essas eram as áreas de interesse dele e os homens que as favoreciam eram seus seguidores. Sexo? Afrodite seria a deusa certa para você, fosse homem ou mulher, heterossexual ou homossexual - fazendo amor, você estava venerando-a. Artes? Apolo era o deus da música e da dança, e assim por diante. Pode-se até traçar um paralelo com os santos católicos, cada um com sua especialidade particular. Psicologicamente, essa multiplicidade é muito satisfatória. É muito difícil crer que uma única e monolítica divindade poderia estar interessada nas coisas que você faz no bar, na cama ou no concerto musical - e ainda se satisfazer com elas.

Isso leva diretamente ao terceiro, e talvez mais atrativo, aspecto das antigas divindades - a sua humanidade. Eles passavam seus dias como humanos, conversando, bebendo, fazendo amor, discutindo. Acima de tudo, eles podiam fazer precisamente o que bem quisessem, quando quisessem, desde que respeitassem o desejo dominante de Zeus e não pisassem no território de outros deuses.

Tendo em mente o moderno conceito ocidental de religião, tudo isso deve parecer completamente incompreensível. Uma das razões é que os deuses antigos geralmente não impunham ordens morais ou espirituais, sem dogmas ou escrituras sagradas - e nem mesmo "fé", na concepção atual. Os gregos não "acreditavam" em seus deuses antigos assim como, por exemplo, um cristão "acredita" em Jesus. Eles os reconheciam como forças impossíveis de ignorar, como a gravidade. O principal meio de fazer esse reconhecimento era por meio de rituais, dos quais o sacrifício era o mais importante. O animal era abatido, o cheiro de carne queimada espiralava, subindo ao céu, e os homens comiam as melhores partes. Era isso: o deus havia sido venerado e provavelmente concederia suas graças. Simples assim.

Homenagem Póstuma

Foi sepultado hoje (sexta-feira, dia 04 de dezembro) no Cemitério Municipal 2 de Novembro, no Rio Grande do Sul, às 18h o corpo de Leila Lopes. A atriz foi encontrada morta ontem por uma vizinha que entrou no apartamento a pedido do marido, preocupado por ela não atender as ligações. Foram encontrados remédios e restos de comida com veneno de rato próximos ao corpo.

Leila deixou duas cartas (uma de cinco e outra de sete páginas) escritas de próprio punho nas quais diz que tomaria veneno para se matar. Segundo a matéria do G1, ela tomava remédios para dormir e estava casnada da rotina de exercícios em uma academia [Sempre achei que malhar não faz bem.]. Seu assessor de imprensa declarou que ela estava muito decepcionada com relação ao trabalho. Estava apresentando um programa (Calcinha Justa, do Sex Privê) e tinha muitos problemas, cancelamentos constantes nas gravações. A atriz disse para ele semana passada que queria jogar tudo para o ar [Ele deve ter achado que era "exibir pela TV"...] e chegou a afirmar que era definitivo.




Apesar de ser um momento triste, não posso deixar de apontar algumas ironias dessa história.

  1. A última twittada de Leila Lopes foi falando sobre a morte do Lombarde. "Gente, não sintam pelo Lombardi. Chegou a hora certa e ele virou um anjo de luz."
  2. No video que comenta sobre seu acidente de carro, Leila diz que acredita totalmente que vai para o céu quando isso for decidido. Aí ela comete suicídio, que é considerado blasfêmia contra o poder de Deus de decidir a hora de cada um. Ou seja, passagem sem escalas pro inferno pelo que eu sei.
  3. Ela diz no mesmo video ter certeza de que Deus existe. Algum tempo depois, faz três filmes pornôs em que seu personagem transa com um seminarista!

A atriz chegou a participar de algumas novelinhas da Globo, mas seu trabalho mais famoso é a Trilogia do Pecado, série de filmes pornôs da produtora Brasileirinhas que incluem Pecados & Tentações, Pecado sem Perdão e Pecado Final. O cinema nacional perde uma atriz muito boa talentosa. Tentarei alugar os filmes pra prestar uma última homenagem a ela. Sugiro que vocês façam o mesmo.



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Parábola das Duas Margens do Rio

Uma jovem morava em uma pequenina ilha bem no meio de um rio. De sua casa, ela observava as pessoas que moravam em cada uma das margens. Em um lado, pessoas que viviam na mais perfeita harmonia. Tudo ali corria sempre bem e eles pareciam o modelo de tranqüilidade. Ela dizia que eles eram os Certos. Na margem oposta, viviam aqueles que ela chamava de Entusiasmados. Faziam barulho e festejavam o tempo todo, com grandes sorrisos estampados em suas faces. Vez ou outra brigavam, mas sempre pareciam estar bem de novo na manhã seguinte.

A correnteza fluía do lado entusiasmado para o lado certo. Se algum Entusiasmado resolvia ir para o lado certo, a passagem era muito fácil. Se um Certo tentava ir para a margem oposta, o processo era muito difícil e poucos realmente conseguiam. Os do lado entusiasmado, no auge de sua euforia sempre gritavam tentando convencê-la a nadar até eles. Até presentes eles enviavam, mas ela tinha muito medo. Os que viviam na margem certa nunca tentavam nada.

Um dia ela gritou para os Certos:

— Aqueles que vivem do outro lado sempre tentam me convencer a ir para lá. Por que vocês nunca me convidam para ficar com vocês?

Alguém lhe respondeu:

— O rio também é nosso. Quanto mais tempo você ficar aí, mais se tornará uma de nós.





Este texto foi inspirado em um do Reverendo Azaziel.