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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Dionisio

O poema a seguir foi enviado por Bruno (Sophyzta Macabro) por e-mail.

Dionisio

Fui Dionisío,
de sentimentos mastigados
e cuspidos.
De pedaços enrolados
em boatos e pelo mundo
espalhados.
De amores impudicos
amarrados aos cadarços.

Fui Dionisio,
educado em prostíbulos
por ninfas e sátiros.
Personificação da líbido
e alguns desejos
embriagados.
De ritos em motéis
cultuados.

Fui Dionisio,
Amante dos prazeres,
apreciador de um bom vinho.
Das vestes feitas da pele
d'um inimigo.
Pai de Príapo,
de dotes descomunais
que invejavam os felinos.

Fui Dionisio,
deitado em lençóis
de cetim noturno.
E a insanidade
dentro dos cachos
de uva soturno.
Amaldiçoado, andarilho
de armadura com furo.
De pactos com beijos
selados.
E de orgasmos redigidos
em contratos.

Fui Dionisio,
nas noites boêmias
em guardanapos de boteco
escrevendo poemas.
Filosofias hedonistas,
nos meus teatros
que imitam a vida.
Ou após a bebida,
nas conversas que viravam
monólogos aos quais ninguém
entendia.

Fui Dionisio,
de intertextualidade subliminar.
Cheio de erros,
para arte me tornar perfeito
em seu limiar.
Contrastado com nuances
fertilizantes.
Num quadro de risos elegante,
à falar:

É... eu fui Dionisio!

Envie seus poemas também para sociedadedionisiaca@gmail.com e nós publicamos aqui.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

No fundo do copo

Bebo porque vejo no fundo do copo
o rosto do meu amado.
Encho pra que não morra de sede,
bebo pra que não morra afogado.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Eu seria livre se...

Liberdade eu teria se
Bordasse uma toalha de centro
Cortasse um bolo com a mão
Amarrasse um pedaço de fita no pulso
Andasse de pé no chão

Eu seria livre se
Todo trabalho causasse alegria
Problema virasse magia
Pensar fosse só hobby
Todo dia tivesse um show do Moby

Livremente andaria se
Domada pela sociedade não fosse
Tabu tivesse gosto de doce
Regra só pra sorriso insosso
Correntes são o fundo do poço

Livre, leve e solta
Corre minha imaginação
Misturando romantismo e paixão
Vou fazer uma poção

Galhos secos de otimismo
Umas gotas de encanto
Palavras doces e de fé
Equilíbrio eu busco tanto

Ainda que eu procure
A sonhada liberdade
Em minha alma escondida
Sempre esteve, é verdade?

Sei que amo mesmo flores
Que mesmo em fartas cores
Famílias e odores
Conseguem viver em paz
Todas, juntas, enfim
Todas no mesmo jardim.

Angelica Carvalho

Encontrei esse poema no Desaforadas.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Nossa Senhora dos Desejos

Esta oração foi criada por um grupo feminista boliviano chamado Mujeres Creando. Minha amiga recebeu em forma daqueles cartõezinhos de santos em uma exposição em Madri.
"Não quero observar a vida de cima de um altar."

Virgen de los Deseos,
Virgen de lo prohibido,
Virgen de la locura,
Virgen que cura toda amargura

Estamos bajo tu manto,
hermanadas y revueltas,
indias, putas y lesbianas,
blancas, negras y mulatas

Somos todas bastardas
Somos todas hermanas
Todas sin padre
Todas hijas de una misma madre

Virgen milagrosa, fraganciosa y pecaminosa
Tienes para tus pecados un altar distinto en cada uno de nuestros cuerpos,
un perfume distinto fabricado con cada uno de nuestros sudores,
un aura distinta con cada uno de nuestros alientos,
un canto distinto con cada uno de nuestros gemidos
Virgen protectora de deseos y de luchas,
de esperanzas y de sueños
Líbranos de racistas, homofóbicos, corruptos,
machistas, colonialistas y explotadores

Avísanos cuando vengan
Ocúltanos cuando nos busquen
Confúndelos cuando nos encuentren
Sujeta sus manos cuando nos golpeen
Detén sus movimientos cuando nos violen

Virgen de los Deseos
Odiada por predicadores, curas y obispos,
que juzgan y condenan a las mujeres a la
obediencia y la sumisión

Virgen de los Deseos
Omitida de las teologías,
censurada por los evangelios y prohibida en las prédicas
Virgen peligrosa
Virgen subversiva para todas las iglesias y todas las religiones
Virgen inquietante para todos los fanatismos
y perseguida por todos los fundamentalismos

Virgen de los Deseos
Sembradora de rebeldía
que con tu mano santa despiertas la palabra en las mujeres mudas,
la alegría en las mujeres tristes
y la rebelión en las mujeres sometidas

Virgen de los Deseos
Esclarecedora de todas nuestras dudas
Delatora de los dioses que quieren imponernos,
de los mandatos con que quieren atarnos,
de los miedos con que quieren sujetarnos.

Virgen que te encarnas en las que nos enseñan a leer y escribir
Virgen que te encarnas en las que nos enseñan a amar y conocer nuestro cuerpo

Virgen que te encarnas en las cocineras del banquete de la vida
En las que siembran y cosechan frutas y verduras
En las que amasan pan y hacen queso

Virgen que te encarnas en las parteras
Virgen que te encarnas en las aborteras
Virgen que te encarnas en las que nos enseñan a creer en nosotras mismas
y amar lo que somos

Virgen de los Deseos que eres puro deseo,
pura libertad y pura esperanza
Has que nunca muera en mí el deseo de ser feliz

Has que no me olvide, ni ninguna de mis hermanas,
ni viejas, ni jóvenes, ni pequeñas,
del deseo de buscar libertad, felicidad y dignidad

Aquí, abajo, ahora y en la tierra por siempre

Amen

Clique abaixo para ver a tradução.




Virgem dos Desejos,
Virgem do proibido,
Virgem da loucura,
Virgem que cura toda amargura

Estamos sob teu manto,
irmanadas e revoltadas,
índias, putas e lésbicas,
brancas, negras e mulatas

Somos todas bastardas
Somos todas irmãs
Todas sem pai
Todas filhas de uma mesma mãe

Virgem milagrosa, fragranciosa e pecaminosa
Tens para teus pecados um altar distinto em cada um de nossos corpos,
um perfume distindo fabricado com cada um de nossos suores,
uma aura distinta com cada um de nossos alentos,
um canto distinto com cada um de nossos gemidos
Virgem protetora de desejos e de lutas,
de esperanças e de sonhos
Livra-nos de racistas, corruptos,
machistas, colonizadores e exploradores

Avisa- nos quando vierem
Oculta-nos quando nos buscarem
Confunda-os quando nos encontrarem
Agarre suas mãos quando nos golpearem
Detenha seus movimentos quando nos violarem

Virgem dos Desejos
Odiada por pregadores, padres e bispos,
que julgam e condenam as mulheres
à obediência e à submissão

Virgem dos Desejos
Omitida das teologias,
censurada pelos evangelhos e proibida nos sermões
Virgem perigosa
Virgem subversiva para todas as igrejas e todas as religiões
Virgem inquietante para todos os fanatismos
e perseguida por todos os fundamentalismos

Virgem dos Desejos
Semeadora de rebeldia
que com tua mão santa despertas
a palavra das mulheres mudas,
a alegria nas mulheres tristes
e a rebelião nas mulheres submissas

Virgem dos Desejos
Esclarecedora de todas nossas dúvidas
Delatora dos deuses que nos querem impor,
dos mandatos que nos querem atar,
dos medos que querem nos sujeitar.

Virgem que te encarnas nas que nos ensinam a ler e a escrever
Virgem que te encarnas nas que ensinam a amar e conhecer nosso corpo

Virgem que te encarnas nas cozinheiras do banquete da vida
Nas que semeiam e colhem frutas e verduras
Nas que amassam pão e fazem queijo

Virgem que te encarnas nas parteiras
Virgem que te encarnas nas aborteiras
Virgem que te encarnas nas que nos ensinam a acreditar em nós mesmas
e a amar o que somos

Virgem dos Desejos que és puro desejo,
pura liberdade e pura esperança
Faça com que nunca morra em mim o desejo de ser feliz

Faça com que eu nunca me esqueça, nem nenhuma de minhas irmãs,
nem velhas, nem jovens, nem pequenas,
do desejo de buscar liberdade, felicidade e dignidade

Aqui, abaixo, agora e na terra para sempre

Amém  

Sugestão e tradução de Carol Kauer.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Narrativa Perva

O Ozzie deixou isso nos comentários do post da poesia erótica. Não tinha título.

Que eu possa sentir sempre o calor de seu corpo
O aroma de sua pele lisa e pefumada
Que possa admirar a perfeição de seu rosto
Tão suave e macio quanto a seda
Olhos tão ardentes quanto o fogo de mil estrelas
Quero acariciar vossos longos cabelos
Sentir na ponta dos dedos as curvas de suas costas
És linda como as rosas!
Um sublime lampelo irá arrepiar todo seu pêlo
Após o toque da língua, do pescoço cair sobre belos seios
Mãos vorazes cobrirem de carícias delicadas
O seu corpo em toda sua extensão
Semelhante ao músico explorando os sons do violão
Desvendando escalas ocultas
Escondidas entre curvas e coxas sedutoras
Os dois envoltos em uma excitante tontura
Os corações queimando em delírio
Cada vez mais bela e devota
Com a pele toda rosada, gemendo e toda molhada
Como botões de rosa úmidos com o orvalho da manhã
Oh, mil vezes linda!
A perfeita forma da vagina
Sempre escondida...
Agora implora para ser invadida por um falo latejante
Pulsando vigoroso, desperto com o sangue das paixões ardentes e dos amores arrebatadores
Sempre eternos por um momento!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

RUBAIYAT - Omar Khayyan

Vinho faz perdoar a pena de viver.
Bebe vinho! Vinho cor de rubi, vinho cor-de-rosa, vinho cor de sangue!

Bebe vinho!
Tens muitos sáculos para dormir.
Vinho é amargo? Não importa! Tem o gosto da vida!
Todos os reinos por uma taça de vinho precioso.

Todos os livros e toda ciência dos homens por um perfume suave de vinho.
Todos os hinos de amor pela canção do vinho que corre.
Toda a glória de Feridoum pelos reflexos do vinho na ânfora.
Bebo o vinho que me oferece uma linda rapariga e não cuido de minha salvação.

Sempre ouço dissertar sobre os gozos reservados aos eleitos, limitando-me a dizer:
Só tenho confiança no vinho.
Bebe vinho!
Só ele te dará a mocidade, ele é a vida eterna.

Bebe um pouco de vinho porque dormirás muito tempo,
debaixo da terra, sem amigo, sem camarada, sem mulher.
Nosso amigo mais velho é o vinho mais novo.
O vinho destrói os cuidados que nos atormentam e nos dá a quietude perfeita.

Ouço dizer que os amantes do vinho serão castigados no inferno.
Se os que amam o vinho e o amor vão para o inferno o paraíso deve estar vazio.
Vinho! Eis o remédio que carece o meu coração doente.
Vinho com perfume almiscarado! Vinho cor-de-rosa!

Dá-me vinho para apagar o incêndio da minha tristeza.
Bebe e esquece que o punho da tristeza breve te derrubará.
Vinho! Vinho em torrentes! Que ele palpite em minha veias.
Que ele borbulhe em minha cabeça!

Quando bebo, ouço mesmo o que não me pode dizer a minha bem amada!
Mais vale uma ânfora de vinho do que o poder, a glória e as riquezas.
O vinho libertar-te-á das névoas do passado e das brumas do fututro.
O vinho inundar-te-á de luz, livrando-te dos grilhões de prisioneiro.

Quando Deus me criou sabia que eu beberia vinho.
Se me tornasse abstêmio, sua ciência estaria errada.
Trazei-me todo o vinho do Universo!
Meu coração tem tantas feridas!…

O vinho proporciona aos sábios uma embriaguez semelhante à dos eleitos.
Dá-nos a mocidade, restitui-nos o que perdêramos, põe ao nosso alcance tudo o que desejamos.
O vinho queima como torrente de fogo,
mas, às vezes, tem sobre as nossas mágoas o efeito da água pura e fresca.

sábado, 7 de agosto de 2010

Tudo que eu queria

Ia pegar só a imagem, mas gostei do texto que a acompanhava. Não sei de quem é a autoria, mas isso era tudo que eu queria hoje. Talvez um filme também.


Noites frias;
um bom vinho,
uma manta
...
dois corpos no cio!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Estamos Todos Bêbados

Musiquinha do Matanza que eu achei realmente bonita (além de divertida, claro). Me foi apresentada pela Nat. Alguém se habilita a cantar isso comigo em um bar?


Nós estamos todos bêbados
Bêbados de cair
E todos que não estiverem bêbados
Dêem o fora daqui

Lançava-se ao mar,
o comandante Nobrum
Passava o dia no barco pescando
mas nunca nos trouxe um atum
Tanta sabedoria e prática além do comum
Dizem que se atribuía
a várias garrafas de rum

Somos amigos em terra
Somos amigos no mar
Juntos fomos à guerra
Juntos estamos no bar

Nós estamos todos bêbados
Bêbados de cair
E todos que não estiverem bêbados
Dêem o fora daqui

O açougueiro sem dedo
que trabalhava no cais
Passava o dia fazendo piada
da falta que o dedo lhe faz
Dizia com riso amarelo: "Ouça bem meu rapaz,
Ao trabalhar com o cutelo nunca beba demais"

Somos amigos em terra
Somos amigos no mar
Juntos fomos à guerra
Juntos estamos no bar

Nós
Estamos todos bêbados
Bêbados de cair
E todos que não estiverem bêbados
Dêem o fora daqui

Marquade alimentava as caldeiras do velho vapor
A despeito do vento, sufocava o calor
O teto de ferro fundido, sol direto na chapa
Tudo já resolvido com duas garrafas de grapa.

Somos amigos em terra
Somos amigos no mar
Juntos fomos à guerra
Juntos estamos no bar

Nós
Estamos todos bêbados
Bêbados de cair
E todos que não estiverem bêbados
Dêem o fora daqui

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Mind The Gap

A gente se conforma
E adota a cultura da inação
Longe de trilhos de revolução
Nada se transforma

Forma, reforma e retorna
É mais fácil a aceitação
A gente não se transtorna

Só aumenta o vão
Entre o trem e a plataforma.

Roubei este poema do blog de um calouro, o Camaleão Transparente. Espero que ele não se importe.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Embriaguem-se

Minha amiga Carol mandou este poema de Baudelaire (Charles Baudelaire, Petits poémes en prose, 1869) por e-mail. A versão original segue logo abaixo da versão traduzida (Trad. Dorothée de Bruchard, 1988 [1996]). Desfrutem.


Embriaguem-se
Há que estar sempre embriagado. Tudo está nisto: é a única questão. Para não sentir o terrível fardo do Tempo que lhes dilacera os ombros e os encurva para a terra, embriagar-se sem cessar é preciso.

Mas de quê? De vinho, poesia ou virtude, a escolha é sua. Mas embriaguem-se.

E se às vezes, nas escadarias de um palácio, na verde relva de um barranco, na solidão morna do seu quarto, vocês acordarem, com a embriaguez já diminuída ou sumida, perguntem ao relógio, ao vento, à vaga, às estrelas, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntem que horas são; e o relógio, o vento, a vaga, a estrela, as aves responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; sem cessar embriaguem-se! De vinho, poesia ou virtude, a escolha é sua".

Enivrez-vous
Il faut être toujours ivre. Tout est là: c'est l'unique question. Pour ne pas sentir l'horrible fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve. Mais de quoi? De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous.

Et si quelquefois, sur les marches d'un palais, sur l'herbe verte d'un fossé, dans la solitude morne de votre chambre, vous vous réveillez, l'ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l'étoile, à l'oiseau, à l'horloge, à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est et le vent, la vague, l'étoile, l'oiseau, l'horloge, vous répondront:

"Il est l'heure de s'enivrer! Pour n'être pas les esclaves martyrisés du Temps, enivrez-vous; enivrez-vous sans cesse! De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise."

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A Criação da Xoxota

Mais um poema escrito em homenagem a esta parte tão especial da anatomia feminina. Quando penso nela, fico tentado a acreditar na teoria do design inteligente feito por deus. Mas Mário Quintana nos deu uma outra versão para a lenda da criação da xoxota.

A Criação da Xoxota

Sete bons homens de fino saber
Criaram a xoxota, como pode se ver:
Chegando na frente, veio um açougueiro.
Com faca afiada deu talho certeiro
Um bom marceneiro, com dedicação.
Fez furo no centro com malho e formão
Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno.
Forrou com veludo o lado interno
Um bom caçador, chegando na hora.
Forrou com raposa, a parte de fora.
Em quinto chegou, sagaz pescador.
Esfregando um peixe, deu-lhe o odor.
Em sexto, o bom padre da igreja daqui.
Benzeu-a dizendo: 'É só pra xixi!'.
Por fim o marujo, zarolho e perneta.
Chupou-a, fodeu-a e chamou-a...
Buceta!

terça-feira, 23 de março de 2010

Mergulho

Vendo o comentário do Caio no post sobre nosso querido churrasco, lembrei de uma oração dionisíaca que vi num perfil do orkut há um bom tempo. Infelizmente não saberia achar a dona do perfil e uma rápida pesquisa no google não revelou nada.

Que nossos corações mergulhem na mais profunda loucura
E que retornem
Para que, uma vez de volta,
Possamos nos permitir a loucura maior:
Ficarmos sãos

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Comida e Bebida

Mais uma música inspirada em Dionísio que o destino colocou em meu caminho. No entanto, sou obrigado a discordar da canção. Nunca diria que só comida e bebida têm valor na vida. Defendo que comer e beber é que são as melhores coisas dela (seguidas bem de perto pela arte). Para as ovelhas que não compreenderam, cito um sábio que disse coisa parecida: "as quatro melhores coisas da vida são comer e viajar".


Comida e Bebida
Zé Miguel Wisnik / Zé Celso Martinez Correa
Intérprete: Elza Soares

Só duas coisas têm valor na vida:
comida e bebida
comida e bebida
comida é terra
deusa terra
dê-me terra
tua velha conhecida
que você chama
pelo nome que te apraz
pois com comida sólida
ela dá de mamar
ela dá de mamar
ela dá de mamar
aos mortais

agora soma para multiplicar bebida
que o filho de sêmele trouxe divino
do fruto molhado da vinha
embebedando os mortais
e liquidando os seus ais
trazendo o sonho o apagamento
dos endividamentos de cada dia

um deus que aos deuses se dá
um deus que se põe ao dispor
não há melhor drogaria pra dor
a ele que se deve o que se dá e se recebe
o bem que se tem e que se detém
um messias que se bebe

Disseram que a letra baseada num fragmento de As Bacantes de Eurípedes, traduzido por Zé Celso, Marcelo rummond, Catherine Hirsche e Denise Assunção.

Quem me deu a dica da música foi minha amiga Irene.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Pacto com Baco

Incrível como os deuses têm uma forma estranha de fazer as coisas, ne? Eu estava entediado dia desses depois de desistir de ver um filme podre baseado em Frankstein quando comecei a olhar a programação da net. Não tinha absolutamente nada que prestasse e minha melhor opção foi assistir a "Sexo, Amor & Traição", que começava naquele instante. Eu achava que já tinha visto e só resolvi ver de novo porque tinha "sexo" no título (sim, isso é critério pra mim). Sabia que seria muito ruim (e de fato foi), mas se era pra perder um tempo da minha vida fazendo algo não-produtivo, que tivesse a ver com sexo. Talvez justamente pelo pouco que o filme fez meus olhos brilharem, eu, que estou acostumado a valorizar mais (às vezes a SÓ valorizar) o enredo do filme, acabei prestando atenção em uma das músicas da trilha sonora, cantada por Paula Lima. Depois do filme, vim catar no google e tive uma feliz surpresa.


Pacto com Baco

Eu fiz um pacto com Baco
Deus do balacobaco
Cada sorriso que eu engato
Eu saio do buraco
Eu fiz um pacto com Baco
Deus do balacobaco
Cada sorriso que eu engato
Eu saio do buraco
Tem que ter felicidade
Deve ser da idade
Só faça o que te der vontade
Chega bem no pé da orelha
E sempre me aconselha
Só faça o que te der na telha
Tem que acreditar no taco
Pra virar o barco
E Dionísio sobe o caminho
Fiz um contrato
E se eu cumprir eu não empaco
Pra ter coragem de largar o que me enche o saco
Eu fiz um pacto com Baco, eu fiz um pacto com Baco
Eu fiz um pacto com Baco, eu fiz um pacto com Baco

Eu fiz um pacto com Baco
Deus do balacobaco
Cada sorriso que eu engato
Eu saio do buraco
Eu fiz um pacto com Baco
Deus do balacobaco (deus do balacobaco, deus do balacobaco)
Cada sorriso que eu engato
Eu saio do buraco
Tem que ter felicidade
Deve ser da idade
Só faça o que te der vontade
Chega bem no pé da orelha
E sempre me aconselha
Só faça o que te der na telha
Tem que acreditar no taco
Pra virar o barco
E Dionísio sobe o caminho
Fiz um contrato
E se eu cumprir eu não empaco
Pra ter coragem de largar o que me enche o saco
Eu fiz um pacto com Baco, eu fiz um pacto com Baco
Eu fiz um pacto com Baco, eu fiz um pacto com Baco

Tem que ter felicidade
Deve ser da idade
Só faça o que te der vontade
Chega bem no pé da orelha
E sempre me aconselha
Só faça o que te der na telha
Tem que acreditar no taco
Pra virar o barco
E Dionísio sobe o caminho
Fiz um contrato
E se eu cumprir eu não empaco
Pra ter coragem de largar o que me enche o saco
Eu fiz um pacto com Baco, eu fiz um pacto com Baco
Eu fiz um pacto com Baco, eu fiz um pacto com Baco

Eu fiz um pacto com Baco, pacto com Baco
Eu fiz um pacto com Baco ...
Eu fiz um pacto com Baco, pacto com Baco
Deus do balacobaco...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Música natalina

Ainda tem 20 minutos de natal, então ainda dá tempo de eu divulgar uma musiquinha que inventei para a última Bacchanalia que fiz. O ritmo é de Bate o Sino (Jingle Bells)

Beba vinho, branco ou tinto,
O rosê também.
Baco deu e prometeu
"Vinho é que faz bem".

Na adega, restaurante
E até no bar,
Quando eu bebo, eu percebo
Baco é que está lá.

Hoje a noite é bela,
Vamos à taverna,
Juntos eu e ela
Beber e copular!

Beba vinho, branco ou tinto,
La la la la la...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Arriba, abajo, al centro e adentro!

Raramente faço esses testes estilo "qual personagem você é", mas recebi um hoje no facebook que me despertou curiosidade: "qual álcool você é". Preenchi o questionário com a esperança de que o resultado fosse "TODOS! Você é a encarnação de Dionísio." Não foi esse o resultado, mas ele não poderia ter sido mais sincero.



Você é a tequila. Você só quer saber de se divertir. Você às vezes bebe demais e acaba fazendo algo que você nunca pensou que faria, mas ainda se diverte fazendo isso.




Pedi para um amigo adivinhar qual tinha sido meu resultado e esse foi seu primeiro palpite. Também pudera, conhecemo-nos em uma noite da tequila, entitulada Clube da Fossa. Estava em depressão por causa de um trágico fim de namoro e começando a ter crise de abstinência pela falta de sexo, então resolvi sacrificar uma das garrafas que guardo pra situações especiais. Encontrei garotas que estavam mal também e as convidei para afogar as mágoas. Uma delas resolveu trazer esse amigo, o que se revelou uma coisa boa no fim das contas. Moral da história: ganhei 2 amigos e ainda tirei o atraso tirei o atraso tirei o atraso tirei o atraso tirei o atraso tirei o atraso...



Felizmente, não houve uma única vez em que a noite da tequila não terminou em putaria. Às vezes era algo a dois, mas normalmente envolve pelo menos três dos presentes. Algo de mágico acontece quando a tequila domina o grupo e um clima de brincadeira e tesão incontrolável simplesmente surge.

Já bebi demais e fiz coisas que me surpreenderam, mas foi divertido de qualquer forma, como o teste bem disse. É claro que isso é arriscado e tenho traumas colossais por causa de eventos como esses, mas uma vez que se conheça as propriedades místicas desse elixir dionisíaco e as pessoas que estão com você, é diversão na certa.


Ritual do Corvo
Pessoas: Reúna de quatro a seis pessoas com o espírito dionisíaco. Não precisam ser conhecidas entre si, o importante é a disposição para beber. Esse número também pode variar, citei apenas o ideal.

Ambiente: Prepare um local com o máximo de privacidade possível. Também deve ser confortável e o ideal é que não tenha muita iluminação. Camisinhas e outros utensílios sexuais devem estar tão próximos quanto possível, mas não à vista. Prepare o sal, corte o limão em oito partes iguais e deixe junto de copos shot e uma garrafa cheia de tequila.

Invocação: Coloque um punhado de sal nas costas de sua mão esquerda e uma dose de tequila em um copo de shot. Segure o pedaço da fruta com mão a esquerda e o copo com a direita. Todos devem proferir os dizeres "arriba, abajo, al centro e adentro" acompanhados dos movimentos correspondentes com o copo: acima, abaixo, à frente e beber. Antes de falar o "adentro", lambe-se o sal que está na mão e, após beber a tequila de um gole só, morde-se o limão. Isso deve ser repetido sempre que forem beber. O ideal é que a tequila seja bebida aos poucos, intercalada com outra atividade como pôquer ou um filme. Não tenha pressa. Quando você vir, já estará rolando.

Obs.: Sempre fiz com josé cuervo, então não sei se funciona com outras tequilas.

Há ainda o bodyshot, bem mais divertido que a modalidade tradicional. Sal, limão e tequila (no copo ou não) colocados no corpo de alguém para consumo direto na fonte. Isso é pra pessoas com um pouco mais de intimidade.











Experimentem e mandem seus relatos para sociedadedionisiaca@gmail.com que eu publico aqui.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Cortejo

Na falta de criatividade, lembrei que tinha uma coisa interessante [Será?] pra postar. Um poema que escrevi pra Bacchanalia de carnaval de 2008. Digam o que acharam. Se algum louco (lembrando que a loucura é atributo dionisíaco) gostar, talvez eu me empolgue pra escrever outros. E queria lembrar que podem mandar obras suas por e-mail que eu publico aqui sem nem selecionar. g.willvaz@gmail.com

O CORTEJO

Saúdem Baco, deus do vinho!
Deus do êxtase e do entusiasmo!
Mênades abrem caminho,
Pondo fim a todo o marasmo!

Rei das festas, Senhor da alegria,
Da arte (e) da orgia!
Da santa à vadia,
Sigamos todos a cantoria!

Puxam o carro seis panteras!
Seguem o carro eles e elas:
Homens libidinosos!
Fêmeas loucas e belas!

Mas onde vem ele?
O homenageado?
O reverenciado?
O adorado,
Louvado e cultuado
Deus Baco?

Pois eu lhes digo:
Baco vem comigo!
Mas também contigo,
Contigo e contigo!

Baco vem no tirso!
Vem no sorriso!
Vem no sexo!
E na falta de nexo!
Ele vem na liberdade!
Ele vem na igualdade!
Na promiscuidade...
Está na harmonia
Que nasce da desarmonia!
Na fantasia!
Na poesia!
No ar que inebria!
No som que contagia!
No calor!
No tambor!
No torpor!

Sabem como é...
A tudo isso e muito mais,
EVOÉ!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Brinde

Bacantes não oram. Bacantes brindam. Brindemos sempre antes de beber, de atuar, de transar... antes de nos libertarmos! Deixo pra vocês um brinde escrito por Manuel Bandeira e publicado em 1919. Era seu segundo livro de poesia e o nome da obra é Carnaval. Como declamar o poema inteiro antes de beber é um saco, costumo falar apenas a primeira estrofe. Alguém fala os três primeiros versos, e os outros entoam o quarto. Um brinde ao êxtase e ao entusiasmo!

BACANAL

Quero beber! Cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
Que tudo emborca e faz em caco...
Evoé Baco!

Lá-se me parte a alma levada
No torvelim da mascarada,
A gargalhar em douro assomo...
Evoé Momo!

Lacem-na toda, multicores,
As serpentinas dos amores,
Cobras de lívidos venosos...
Evoé Vênus!

Se perguntarem: Que mais queres,
Além de versos e mulheres?...
- Vinhos!... o vinho que é o meufraco!...
Evoé Baco!

O alfange rútilo da lua,
Por degolar a nuca nua
Que me alucina e que eu não domo!...
Evoé Momo!

A Lira etérea, a grande Lira!...
Por que eu extático desfira
Em seu louvor versos obscenos,
Evoé Venus!