sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Dionisio
Dionisio
Fui Dionisío,
de sentimentos mastigados
e cuspidos.
De pedaços enrolados
em boatos e pelo mundo
espalhados.
De amores impudicos
amarrados aos cadarços.
Fui Dionisio,
educado em prostíbulos
por ninfas e sátiros.
Personificação da líbido
e alguns desejos
embriagados.
De ritos em motéis
cultuados.
Fui Dionisio,
Amante dos prazeres,
apreciador de um bom vinho.
Das vestes feitas da pele
d'um inimigo.
Pai de Príapo,
de dotes descomunais
que invejavam os felinos.
Fui Dionisio,
deitado em lençóis
de cetim noturno.
E a insanidade
dentro dos cachos
de uva soturno.
Amaldiçoado, andarilho
de armadura com furo.
De pactos com beijos
selados.
E de orgasmos redigidos
em contratos.
Fui Dionisio,
nas noites boêmias
em guardanapos de boteco
escrevendo poemas.
Filosofias hedonistas,
nos meus teatros
que imitam a vida.
Ou após a bebida,
nas conversas que viravam
monólogos aos quais ninguém
entendia.
Fui Dionisio,
de intertextualidade subliminar.
Cheio de erros,
para arte me tornar perfeito
em seu limiar.
Contrastado com nuances
fertilizantes.
Num quadro de risos elegante,
à falar:
É... eu fui Dionisio!
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quinta-feira, 25 de novembro de 2010
No fundo do copo
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Eu seria livre se...
Bordasse uma toalha de centro
Cortasse um bolo com a mão
Amarrasse um pedaço de fita no pulso
Andasse de pé no chão
Eu seria livre se
Todo trabalho causasse alegria
Problema virasse magia
Pensar fosse só hobby
Todo dia tivesse um show do Moby
Livremente andaria se
Domada pela sociedade não fosse
Tabu tivesse gosto de doce
Regra só pra sorriso insosso
Correntes são o fundo do poço
Livre, leve e solta
Corre minha imaginação
Misturando romantismo e paixão
Vou fazer uma poção
Galhos secos de otimismo
Umas gotas de encanto
Palavras doces e de fé
Equilíbrio eu busco tanto
Ainda que eu procure
A sonhada liberdade
Em minha alma escondida
Sempre esteve, é verdade?
Sei que amo mesmo flores
Que mesmo em fartas cores
Famílias e odores
Conseguem viver em paz
Todas, juntas, enfim
Todas no mesmo jardim.
Angelica Carvalho
Encontrei esse poema no Desaforadas.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Nossa Senhora dos Desejos
![]() |
| "Não quero observar a vida de cima de um altar." |
Virgen de los Deseos,
Virgen de lo prohibido,
Virgen de la locura,
Virgen que cura toda amargura
Estamos bajo tu manto,
hermanadas y revueltas,
indias, putas y lesbianas,
blancas, negras y mulatas
Somos todas bastardas
Somos todas hermanas
Todas sin padre
Todas hijas de una misma madre
Virgen milagrosa, fraganciosa y pecaminosa
Tienes para tus pecados un altar distinto en cada uno de nuestros cuerpos,
un perfume distinto fabricado con cada uno de nuestros sudores,
un aura distinta con cada uno de nuestros alientos,
un canto distinto con cada uno de nuestros gemidos
Virgen protectora de deseos y de luchas,
de esperanzas y de sueños
Líbranos de racistas, homofóbicos, corruptos,
machistas, colonialistas y explotadores
Avísanos cuando vengan
Ocúltanos cuando nos busquen
Confúndelos cuando nos encuentren
Sujeta sus manos cuando nos golpeen
Detén sus movimientos cuando nos violen
Virgen de los Deseos
Odiada por predicadores, curas y obispos,
que juzgan y condenan a las mujeres a la
obediencia y la sumisión
Virgen de los Deseos
Omitida de las teologías,
censurada por los evangelios y prohibida en las prédicas
Virgen peligrosa
Virgen subversiva para todas las iglesias y todas las religiones
Virgen inquietante para todos los fanatismos
y perseguida por todos los fundamentalismos
Virgen de los Deseos
Sembradora de rebeldía
que con tu mano santa despiertas la palabra en las mujeres mudas,
la alegría en las mujeres tristes
y la rebelión en las mujeres sometidas
Virgen de los Deseos
Esclarecedora de todas nuestras dudas
Delatora de los dioses que quieren imponernos,
de los mandatos con que quieren atarnos,
de los miedos con que quieren sujetarnos.
Virgen que te encarnas en las que nos enseñan a leer y escribir
Virgen que te encarnas en las que nos enseñan a amar y conocer nuestro cuerpo
Virgen que te encarnas en las cocineras del banquete de la vida
En las que siembran y cosechan frutas y verduras
En las que amasan pan y hacen queso
Virgen que te encarnas en las parteras
Virgen que te encarnas en las aborteras
Virgen que te encarnas en las que nos enseñan a creer en nosotras mismas
y amar lo que somos
Virgen de los Deseos que eres puro deseo,
pura libertad y pura esperanza
Has que nunca muera en mí el deseo de ser feliz
Has que no me olvide, ni ninguna de mis hermanas,
ni viejas, ni jóvenes, ni pequeñas,
del deseo de buscar libertad, felicidad y dignidad
Aquí, abajo, ahora y en la tierra por siempre
Amen
Clique abaixo para ver a tradução.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Narrativa Perva
Que eu possa sentir sempre o calor de seu corpo
O aroma de sua pele lisa e pefumada
Que possa admirar a perfeição de seu rosto
Tão suave e macio quanto a seda
Olhos tão ardentes quanto o fogo de mil estrelas
Quero acariciar vossos longos cabelos
Sentir na ponta dos dedos as curvas de suas costas
És linda como as rosas!
Um sublime lampelo irá arrepiar todo seu pêlo
Após o toque da língua, do pescoço cair sobre belos seios
Mãos vorazes cobrirem de carícias delicadas
O seu corpo em toda sua extensão
Semelhante ao músico explorando os sons do violão
Desvendando escalas ocultas
Escondidas entre curvas e coxas sedutoras
Os dois envoltos em uma excitante tontura
Os corações queimando em delírio
Cada vez mais bela e devota
Com a pele toda rosada, gemendo e toda molhada
Como botões de rosa úmidos com o orvalho da manhã
Oh, mil vezes linda!
A perfeita forma da vagina
Sempre escondida...
Agora implora para ser invadida por um falo latejante
Pulsando vigoroso, desperto com o sangue das paixões ardentes e dos amores arrebatadores
Sempre eternos por um momento!
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
RUBAIYAT - Omar Khayyan
Bebe vinho! Vinho cor de rubi, vinho cor-de-rosa, vinho cor de sangue!
Bebe vinho!
Tens muitos sáculos para dormir.
Vinho é amargo? Não importa! Tem o gosto da vida!
Todos os reinos por uma taça de vinho precioso.
Todos os livros e toda ciência dos homens por um perfume suave de vinho.
Todos os hinos de amor pela canção do vinho que corre.
Toda a glória de Feridoum pelos reflexos do vinho na ânfora.
Bebo o vinho que me oferece uma linda rapariga e não cuido de minha salvação.
Sempre ouço dissertar sobre os gozos reservados aos eleitos, limitando-me a dizer:
Só tenho confiança no vinho.
Bebe vinho!
Só ele te dará a mocidade, ele é a vida eterna.
Bebe um pouco de vinho porque dormirás muito tempo,
debaixo da terra, sem amigo, sem camarada, sem mulher.
Nosso amigo mais velho é o vinho mais novo.
O vinho destrói os cuidados que nos atormentam e nos dá a quietude perfeita.
Ouço dizer que os amantes do vinho serão castigados no inferno.
Se os que amam o vinho e o amor vão para o inferno o paraíso deve estar vazio.
Vinho! Eis o remédio que carece o meu coração doente.
Vinho com perfume almiscarado! Vinho cor-de-rosa!
Dá-me vinho para apagar o incêndio da minha tristeza.
Bebe e esquece que o punho da tristeza breve te derrubará.
Vinho! Vinho em torrentes! Que ele palpite em minha veias.
Que ele borbulhe em minha cabeça!
Quando bebo, ouço mesmo o que não me pode dizer a minha bem amada!
Mais vale uma ânfora de vinho do que o poder, a glória e as riquezas.
O vinho libertar-te-á das névoas do passado e das brumas do fututro.
O vinho inundar-te-á de luz, livrando-te dos grilhões de prisioneiro.
Quando Deus me criou sabia que eu beberia vinho.
Se me tornasse abstêmio, sua ciência estaria errada.
Trazei-me todo o vinho do Universo!
Meu coração tem tantas feridas!…
O vinho proporciona aos sábios uma embriaguez semelhante à dos eleitos.
Dá-nos a mocidade, restitui-nos o que perdêramos, põe ao nosso alcance tudo o que desejamos.
O vinho queima como torrente de fogo,
mas, às vezes, tem sobre as nossas mágoas o efeito da água pura e fresca.
sábado, 7 de agosto de 2010
Tudo que eu queria
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Estamos Todos Bêbados
Nós estamos todos bêbados
Bêbados de cair
E todos que não estiverem bêbados
Dêem o fora daqui
Lançava-se ao mar,
o comandante Nobrum
Passava o dia no barco pescando
mas nunca nos trouxe um atum
Tanta sabedoria e prática além do comum
Dizem que se atribuía
a várias garrafas de rum
Somos amigos em terra
Somos amigos no mar
Juntos fomos à guerra
Juntos estamos no bar
Nós estamos todos bêbados
Bêbados de cair
E todos que não estiverem bêbados
Dêem o fora daqui
O açougueiro sem dedo
que trabalhava no cais
Passava o dia fazendo piada
da falta que o dedo lhe faz
Dizia com riso amarelo: "Ouça bem meu rapaz,
Ao trabalhar com o cutelo nunca beba demais"
Somos amigos em terra
Somos amigos no mar
Juntos fomos à guerra
Juntos estamos no bar
Nós
Estamos todos bêbados
Bêbados de cair
E todos que não estiverem bêbados
Dêem o fora daqui
Marquade alimentava as caldeiras do velho vapor
A despeito do vento, sufocava o calor
O teto de ferro fundido, sol direto na chapa
Tudo já resolvido com duas garrafas de grapa.
Somos amigos em terra
Somos amigos no mar
Juntos fomos à guerra
Juntos estamos no bar
Nós
Estamos todos bêbados
Bêbados de cair
E todos que não estiverem bêbados
Dêem o fora daqui
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Mind The Gap
E adota a cultura da inação
Longe de trilhos de revolução
Nada se transforma
Forma, reforma e retorna
É mais fácil a aceitação
A gente não se transtorna
Só aumenta o vão
Entre o trem e a plataforma.
Roubei este poema do blog de um calouro, o Camaleão Transparente. Espero que ele não se importe.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Embriaguem-se
Embriaguem-se
Há que estar sempre embriagado. Tudo está nisto: é a única questão. Para não sentir o terrível fardo do Tempo que lhes dilacera os ombros e os encurva para a terra, embriagar-se sem cessar é preciso.Mas de quê? De vinho, poesia ou virtude, a escolha é sua. Mas embriaguem-se.
E se às vezes, nas escadarias de um palácio, na verde relva de um barranco, na solidão morna do seu quarto, vocês acordarem, com a embriaguez já diminuída ou sumida, perguntem ao relógio, ao vento, à vaga, às estrelas, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntem que horas são; e o relógio, o vento, a vaga, a estrela, as aves responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; sem cessar embriaguem-se! De vinho, poesia ou virtude, a escolha é sua".
sexta-feira, 23 de abril de 2010
A Criação da Xoxota
A Criação da Xoxota

Sete bons homens de fino saber
Criaram a xoxota, como pode se ver:
Chegando na frente, veio um açougueiro.
Com faca afiada deu talho certeiro
Um bom marceneiro, com dedicação.
Fez furo no centro com malho e formão
Em terceiro o alfaiate, capaz e moderno.
Forrou com veludo o lado interno
Um bom caçador, chegando na hora.
Forrou com raposa, a parte de fora.
Em quinto chegou, sagaz pescador.
Esfregando um peixe, deu-lhe o odor.
Em sexto, o bom padre da igreja daqui.
Benzeu-a dizendo: 'É só pra xixi!'.
Por fim o marujo, zarolho e perneta.
Chupou-a, fodeu-a e chamou-a...
Buceta!
terça-feira, 23 de março de 2010
Mergulho
Que nossos corações mergulhem na mais profunda loucura
E que retornem
Para que, uma vez de volta,
Possamos nos permitir a loucura maior:
Ficarmos sãos
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Comida e Bebida
Comida e Bebida
Zé Miguel Wisnik / Zé Celso Martinez Correa
Intérprete: Elza Soares
Só duas coisas têm valor na vida:
comida e bebida
comida e bebida
comida é terra
deusa terra
dê-me terra
tua velha conhecida
que você chama
pelo nome que te apraz
pois com comida sólida
ela dá de mamar
ela dá de mamar
ela dá de mamar
aos mortais
agora soma para multiplicar bebida
que o filho de sêmele trouxe divino
do fruto molhado da vinha
embebedando os mortais
e liquidando os seus ais
trazendo o sonho o apagamento
dos endividamentos de cada dia
um deus que aos deuses se dá
um deus que se põe ao dispor
não há melhor drogaria pra dor
a ele que se deve o que se dá e se recebe
o bem que se tem e que se detém
um messias que se bebe
Quem me deu a dica da música foi minha amiga Irene.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Pacto com Baco
Pacto com Baco
Eu fiz um pacto com Baco
Deus do balacobaco
Cada sorriso que eu engato
Eu saio do buraco
Eu fiz um pacto com Baco
Deus do balacobaco
Cada sorriso que eu engato
Eu saio do buraco
Tem que ter felicidade
Deve ser da idade
Só faça o que te der vontade
Chega bem no pé da orelha
E sempre me aconselha
Só faça o que te der na telha
Tem que acreditar no taco
Pra virar o barco
E Dionísio sobe o caminho
Fiz um contrato
E se eu cumprir eu não empaco
Pra ter coragem de largar o que me enche o saco
Eu fiz um pacto com Baco, eu fiz um pacto com Baco
Eu fiz um pacto com Baco, eu fiz um pacto com Baco
Eu fiz um pacto com Baco
Deus do balacobaco
Cada sorriso que eu engato
Eu saio do buraco
Eu fiz um pacto com Baco
Deus do balacobaco (deus do balacobaco, deus do balacobaco)
Cada sorriso que eu engato
Eu saio do buraco
Tem que ter felicidade
Deve ser da idade
Só faça o que te der vontade
Chega bem no pé da orelha
E sempre me aconselha
Só faça o que te der na telha
Tem que acreditar no taco
Pra virar o barco
E Dionísio sobe o caminho
Fiz um contrato
E se eu cumprir eu não empaco
Pra ter coragem de largar o que me enche o saco
Eu fiz um pacto com Baco, eu fiz um pacto com Baco
Eu fiz um pacto com Baco, eu fiz um pacto com Baco
Tem que ter felicidade
Deve ser da idade
Só faça o que te der vontade
Chega bem no pé da orelha
E sempre me aconselha
Só faça o que te der na telha
Tem que acreditar no taco
Pra virar o barco
E Dionísio sobe o caminho
Fiz um contrato
E se eu cumprir eu não empaco
Pra ter coragem de largar o que me enche o saco
Eu fiz um pacto com Baco, eu fiz um pacto com Baco
Eu fiz um pacto com Baco, eu fiz um pacto com Baco
Eu fiz um pacto com Baco, pacto com Baco
Eu fiz um pacto com Baco ...
Eu fiz um pacto com Baco, pacto com Baco
Deus do balacobaco...
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Música natalina
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Arriba, abajo, al centro e adentro!
Há ainda o bodyshot, bem mais divertido que a modalidade tradicional. Sal, limão e tequila (no copo ou não) colocados no corpo de alguém para consumo direto na fonte. Isso é pra pessoas com um pouco mais de intimidade.
Experimentem e mandem seus relatos para sociedadedionisiaca@gmail.com que eu publico aqui.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
O Cortejo
O CORTEJO
Deus do êxtase e do entusiasmo!
Mênades abrem caminho,
Pondo fim a todo o marasmo!
Rei das festas, Senhor da alegria,
Da arte (e) da orgia!
Da santa à vadia,
Sigamos todos a cantoria!
Puxam o carro seis panteras!
Seguem o carro eles e elas:
Homens libidinosos!
Fêmeas loucas e belas!
Mas onde vem ele?
O homenageado?
O reverenciado?
O adorado,
Louvado e cultuado
Deus Baco?
Pois eu lhes digo:
Baco vem comigo!
Mas também contigo,
Contigo e contigo!
Baco vem no tirso!
Vem no sorriso!
Vem no sexo!
E na falta de nexo!
Ele vem na liberdade!
Ele vem na igualdade!
Na promiscuidade...
Está na harmonia
Que nasce da desarmonia!
Na fantasia!
Na poesia!
No ar que inebria!
No som que contagia!
No calor!
No tambor!
No torpor!
Sabem como é...
A tudo isso e muito mais,
EVOÉ!
segunda-feira, 30 de março de 2009
Brinde
BACANAL
Quero beber! Cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
Que tudo emborca e faz em caco...
Evoé Baco!
Lá-se me parte a alma levada
No torvelim da mascarada,
A gargalhar em douro assomo...
Evoé Momo!
Lacem-na toda, multicores,
As serpentinas dos amores,
Cobras de lívidos venosos...
Evoé Vênus!
Se perguntarem: Que mais queres,
Além de versos e mulheres?...
- Vinhos!... o vinho que é o meufraco!...
Evoé Baco!
O alfange rútilo da lua,
Por degolar a nuca nua
Que me alucina e que eu não domo!...
Evoé Momo!
A Lira etérea, a grande Lira!...
Por que eu extático desfira
Em seu louvor versos obscenos,
Evoé Venus!

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