segunda-feira, 22 de março de 2010

Plastiki zarpou

O Plastiki ao fundo e sua tripulação
Há exatos onze meses, no Earth Day, eu noticiei um projeto interessante de um ambientalista que descobri por acaso na net. David De Rothschild pretendia atravessar o pacífico em um barco feito de plástico (o Plastiki) para conscientizar as pessoas quanto à necessidade de se combater a poluição dos oceanos.

Hoje, outro dia importante para o planeta, o Dia da Água, descobri que o barco zarpou não tem muito tempo. A viagem de onze mil milhas náuticas até a Austrália do que ouso considerar uma obra de arte começou ontem (domingo, dia 21 de março). Agora é só torcer pra ele não encontrar nenhum furacão no caminho (sim, isso é possível) e pra surtir algum efeito no comportamento das pessoas.

Oráculo: BBC Brasil

Fisherman's Friends


Um grupo de dez lobos do mar do vilarejo de Port Isaac, na região britânica da Cornualha, assinou um contrato de mais de US$ 1 milhão com a Universal. Os Fisherman's Friends ("Amigos do Pescador", em tradução literal) foram descobertos cantando em um pub e devem lançar seu primeiro álbum em abril. Já foram até convidados a se apresentar no festival de Glastonbury, em junho.

Os dez integrantes do grupo - todos na faixa dos 60 anos de idade - são amigos de infância e cantam juntos há 15 anos. Começaram a se reunir para aprender as letras dos "shanties", tradicionais cânticos que os marinheiros britânicos entoavam no convés dos navios quando estavam em alto mar. Costumam se encontrar toda sexta-feira para cantar perto do porto, a menos que chova ou faça muito vento, o que os força a ir para o pub.

É bem diferente do que estamos acostumados a ouvir, mas eu gostei bastante. Esta reportagem da BBC possui uma palhinha da arte dos pescadores. Confiram.

a linguagem sofisticada

palavrão é emoção
poesia gritada!
xingada!
gozada!

não há nada mais sincero
que o que se fala
quando não há
o que se falar

não há mais primitivo instinto
que o que se fala
quando perde-se a denotação
na subjetividade de quem fala
o que não dá
para se falar


submeti essa ao I Concurso de Poesia Amigos do Livro, vamos ver se consigo tê-la publicada.

logo depois de ter escrito esse poema, tive a feliz surpresa de ler uma matéria na revista SuperInteressante cujo conteúdo, seguindo uma abordagem científica, relaciona-se com a minha intenção na poesia. leia abaixo "A ciência do palavrão" para você entender porquê "alguns pesquisadores consideram o palavrão até mais sofisticado que a linguagem comum".

"Por que diabos merda é palavrão? Aliás, por que a palavra diabos, indizível décadas atrás, deixou de ser um? Outra: você já deve ter tropeçado numa pedra e, para revidar, xingou-a de algo como filha-da -puta, mesmo sabendo que a dita nem mãe tem.

Pois é: há mais mistérios no universo dos palavrões do que o senso comum imagina. Mas a ciência ajuda a desvendá-los. Pesquisas recentes mostram que as palavras sujas nascem em um mundo à parte dentro do cérebro. Enquanto a linguagem comum e o pensamento consciente ficam a cargo da parte mais sofisticada da massa cinzenta, o neocórtex, os palavrões moram nos porões da cabeça. Mais exatamente no sistema límbico. É o fundo do cérebro, a parte que controla nossas emoções. Trata-se de uma zona primitiva: se o nosso neocórtex é mais avantajado que o dos outros mamíferos, o sistema límbico é bem parecido. Nossa parte animal fica lá.

E sai de vez em quando, na forma de palavrões. A medicina ajuda a entender isso. Veja o caso da síndrome de Tourette. Essa doença acomete pessoas que sofreram danos no gânglio basal, a parte do cérebro cuja função é manter o sistema límbico comportado. Elas passam a ter tiques nervosos o tempo todo. E, às vezes, mais do que isso. De 10 a 20% dos pacientes ficam com uma característica inusitada: não param de falar palavrão. Isso mostra que, sem o gânglio basal para tomar conta, o sistema límbico se solta todo. E os palavrões saem como se fossem tiques nervosos na forma de palavras.

Mas você não precisa ter lesão nenhuma para se descontrolar de vez em quando, claro. Como dissemos, basta tropeçar numa pedra para que ela corra o sério risco de ouvir um desaforo. Se dependesse do pensamento consciente, ninguém nunca ofenderia uma coisa inanimada. Mas o sistema límbico é burro. Burro e sincero. Justamente por não pensar, quando essa parte animal do cérebro fala, ela consegue traduzir certas emoções com uma intensidade inigualável.

Os palavrões, por esse ponto de vista, são poesia no sentido mais profundo da palavra. Duvida? Então pense em uma palavra forte. Paixão, por exemplo. Ela tem substância, sim, mas está longe de transmitir toda a carga emocional da paixão propriamente dita. Mas com um grande e gordo puta que o pariu a história é outra. Ele vai direto ao ponto, transmite a emoção do sistema límbico de quem fala direto para o de quem ouve. Por isso mesmo, alguns pesquisadores consideram o palavrão até mais sofisticado que a linguagem comum.

É o que pensa o psicólogo cognitivo Steven Pinker, da Universidade Harvard. Em seu livro mais recente, Stuff of Thought (“Coisas do Pensamento”, inédito em português), ele escreveu: “Mais do que qualquer outra forma de linguagem, xingar recruta nossas faculdades de expressão ao máximo: o poder de combinação da sintaxe; a força evocativa da metáfora e a carga emocional das nossas atitudes, tanto as pensadas quanto impensadas”. Traduzindo: palavrões são f*.

Tão f* que nem os usamos só para xingar. Eles expressam qualquer emoção indizível, seja ruim, seja boa. Então, se um jogador de futebol grita palavrões depois de marcar um gol, ele não o faz por ser mal-educado, mas porque só uma palavra saída direto do sistema límbico consegue transmitir o que ele está sentindo. Outra prova de eficácia é que eles estreitam nossos laços sociais. Se você xingar alguém gratuitamente e o sujeito não ficar bravo, significa que ele é seu amigo. Daí que grupos de homens adoram usar cumprimentos como “Fala, cuzão!” Isso deixa claro que todos ali são íntimos. “Perceber o xingamento como agressão ou ferramenta social depende do contexto”, disse o psicólogo Timothy Jay, da Faculdade de Artes Liberais de Massachusetts, para a revista americana New Scientist. “Num vestiário masculino, por exemplo, quem não xinga é o ‘panaca’”.

Timothy Jay sabe do que está falando. É um expert em palavrões. Ele passou as últimas 3 décadas anotando as sujeiras que ouvia em lugares públicos. Juntou mais de 10 mil ocorrências. E colocou em números cientificamente rigorosos (na medida do possível) aquilo que você já sabia: “foda” e “merda” (ou “fuck” e “shit”) correspondem à metade de todos os palavrões ditos – sem contar suas variantes.
Não é à toa. Como os palavrões nascem na parte primitiva do cérebro, quase todos versam sobre as duas coisas mais básicas da existência:

Sexo e excrementos

Veja só. “Merda” é um palavrão mais ofensivo que “mijo”, por sua vez mais pesado que “cuspe”, que nem palavrão é. Se você fosse excretar alguma dessas coisas na rua, essa também seria a ordem de impacto nas outras pessoas – do mais para o menos chocante. Coincidência? “Não. Não é por acaso que as substâncias que mais dão nojo também sejam vetores de doenças. A reação de repulsa à palavra é o desejo de não tocar ou comer a coisa”, afirma o médico americano Val Curtis no livro Is Hygiene in Our Genes? (“A Higiene Está nos Nossos Genes?”, sem tradução para português).

Se é fácil entender por que excrescências são palavrões, não dá para dizer o mesmo sobre os termos ligados ao sexo. Afinal, sexo é bom, não? Não necessariamente. “Ele traz altos riscos, incluindo doenças, exploração, pedofilia e estupro. Esses males deixaram marcas nos nossos costumes e emoções”, diz Pinker. Foquemos em “estupro”. Do ponto de vista evolutivo, ele foi vantajoso para os homens. Pegar mulheres à força permitia que um macho fizesse dezenas, centenas de filhos, coisa que contou pontos no jogo da evolução. Já para as mulheres isso é o inferno. O papel delas é ter poucos, e bons, filhos. Então selecionar o pai é fundamental, e engravidar de alguém que a violentou, um baita prejuízo.

Daí foi natural que a expressão “foder alguém” virasse sinônimo de “fazer um grande mal”. Para entender isso melhor, complete a frase “João ___ Maria” para mostrar que eles transaram, usando apenas uma palavra. Quase todas as opções para preencher a lacuna são palavrões. Já os termos leves para relação sexual sempre carregam a preposição “com”: você pode dizer que João fez amor com Maria, dormiu com, fez sexo com, transou com... Todos os exemplos indicam que João e Maria participaram do sexo de igual para igual. Com os palavrões, a história é outra. Eles deixam claro: Maria está sempre numa posição inferior.
Note que a origem de “fodido” e seus equivalente não envolve o sexo apenas como uma ferramenta de submissão de homens contra mulheres. Mas de homens contra homens também. O estupro homossexual sempre foi, e segue sendo, uma forma eficaz de deixar claro num bando de machos quem é o chefe – a violência sexual dentro dos presídios está aí para provar. A coisa é tão arraigada que até uma palavra inocente hoje, como “coitado” ou “tadinho”, sua variante mais fofa, significa “aquele que sofreu o coito”.
Mas espera aí: como algo tão barra-pesada vira uma palavra até bonitinha? É o que vamos ver.

A vida e a morte de um palavrão

“Que se dane!”, “diabos” ou “vá para o inferno” já foi algo mais impactante. Claro: até décadas atrás não havia prognóstico pior que não ir para o céu quando morresse. Então, quando a idéia era insultar para valer, nada melhor que mandar alguém para o inferno. “A perda de eficácia das palavras tabus relacionadas à religião é uma óbvia conseqüência da secularização da cultura ocidental”, afirma Pinker.

Outra: quando “câncer” era sinônimo de morte, também não podia ser dita livremente. Nos obi- tuários, a pessoa não morria de câncer, mas de “uma longa enfermidade”. Com os avanços no tratamento, a coisa mudou de figura, e câncer, apesar de ainda dar calafrios, virou uma palavra bem mais corriqueira. As doenças em geral, na verdade, passaram por um processo parecido. Em Romeu e Julieta, de Shakespeare, por exemplo, há uma passagem dizendo: “Que a peste invada as casas de ambos!” Uma baita ofensa no século 16, quando a peste bubônica ainda era uma ameaça na Europa. Mas agora, no mundo limpo e cheio de antibióticos que a gente conhece, o xingamento shakespeariano parece inócuo.

E também há o inverso: palavras normais que viram tabu. Em algum momento da história do português um sujeito chamou pênis de “pau”. E uma palavra originalmente “pura” enveredava para o mau caminho. Nada mais comum: hoje ninguém se lembra mais de “caralho” como sendo a cestinha que ficava no alto do mastro dos navios, ou “boceta” como uma caixa pequena e redonda. “A palavra vira tabu quando ganha um sentido simbólico”, afirma o etimólogo Deoníoso da Silva, da Universidade Estácio de Sá.

Mais uma mostra de como os palavrões flutuam com o espírito do tempo são as expressões que são tabu num lugar e não têm nada de mais em outro. Se você for a Portugal, vai ver que eles preferem cu e rabo para referirem-se às nádegas, e que coram quando alguém fala “broche” (o termo sujo para sexo oral).
Mas quem decide o que é palavrão e o que não é? “Isso depende dos mecanismos de conservação da língua, que são o ensino, os meios de comunicação e os dicionários. As palavras relacionadas a sexo que não são palavrões são quase todas da literatura científica, como pênis e ânus”, explica a lingüista Wânia de Aragão, da Universidade de Brasília. Não que isso impeça termos científicos de hoje, como “pedófilo”, de virar palavra suja um dia. A palavra “esquizofrênico”, por exemplo, nasceu na ciência, mas agora, com o aumento dos dignósticos de doenças mentais, caiu na boca do povo. E está virando xingamento.

Mas saber quais serão os palavrões do futuro é tão impossível quanto prever o futuro da tecnologia, da humanidade ou do Corinthians. O escritor e comediante inglês Douglas Adams, resumiu isso bem no clássico O Guia do Mochileiro das Galáxias. O livro diz que o palavrão mais sujo entre os habitantes dos outros planetas da Via Láctea é uma expressão bem conhecida dos terráqueos: “bélgica”.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Post Messias #14

O Post Messias desta semana é inspirado na questão dos royalties do petróleo do Rio de Janeiro. Tô atrasadão, então não vou me estender. Divirtam-se.


ÁLCOOL
Notícia: Atenção! Trafego de bêbados
Imagem: O que fazer em caso de chuva de granizo
McGyver: Vinho-abajour
Estudo: Seja cobaia e prove que o vinho faz bem
Notícia: Vinho homenageia divas do cinema
Video: Semelhanças entre cerveja e mulher
Texto & Imagens: Cerveja e Arte
Video: Vodka, unindo os russos e o chão desde sempre
Texto: O que é o dia de São Patrício?
Texto & Video: Stella Artois
Animação: Adriano canta Marvada Pinga


ARTE
Video: 70 Million
Contos: A narrativa mais impura já escrita
Texto & Imagens: Textile - o maior teclado do mundo
Video: Stand By Me cantado por artistas de rua
Notícia: Escultura de Giacometti bate recorde em leilão
Downloads: Contos do Marquês de Sade
Video: Improvisação musical no chatroullette
Texto & Video: Bansky - o artista anônimo mais conhecido do mundo


SEXO
Notícia: Camisinha do Obama
Video: Furico Li Furico La
Pesquisa: Qual a sua definição de sexo?
Video: Discussão na cama
Áudio: Ouça seu IP sendo gemido
Quadrinho: O mistério da boca
Notícia: Praticantes de corrida têm vida sexual mais ativa
Notícia: Mulheres têm tantos parceiros quanto os homens
Notícia: Ex-jogador da NBA diz ter transado com 90 mulheres em 1 mês
Texto: Mulheres pra transar X mulheres pra casar
Notícia: Proteína de banana pode prevenir transmissão da AIDS
Produtos: Sua fantasia é transar com uma celebridade?
Texto: Olhar de Monstro
Imagens: Sexo fofinho


OUTROS
Animação: O que Jesus não faria
Animação: Aedes animadus
Quadrinho: A vingança do nerd
Imagem: Simbolismo Cristão
Animação: Ficha Suja
Texto & Imagens: Marguerite - estacionamento para bicicletas
Texto: A política brasileira e... nós.
Imagem: Pensadores Livres
Texto: Lula e os prisioneiros políticos cubanos
Video: Jesus - A Vingança


SOCIEDADE DIONISÍACA
Texto: Churrasco da SD
E-mail & MSN: sociedadedionisiaca@gmail.com
Chat: group109667@groupsim.com

As Melhores Vodkas

As melhores vodcas do mundo são as chamadas super premium são a elite da bebida. Para pertencer a esta categoria, o destilado precisa atender a algumas condições.

Água. As vodcas super premium utilizam água muito pura. Vinda de lençóis freáticos, ela chega à superfície depois de passar por um tipo de solo que funciona como um filtro. A água fica tão limpa que não é necessário nenhum tratamento químico.

Matéria prima. As super premium são elaboradas com base em um único ingrediente de muita qualidade, como o centeio dourado, o trigo selecionado e até a uva.

Destilação. Após a utilização de cevada ou de cereais com baixos índices de gordura por grão, essas vodcas são destiladas diversas vezes. As multidestilações dão à bebida uma pureza singular.

Filtragem. A filtragem em carvão ativado suaviza o gosto e o cheiro e reforça a neutralidade. Cada país apresenta um estilo de destilação e filtragem, o que faz com que vodcas super premium feitas na França, na Rússia, na Polônia ou na Escandinávia sejam diferentes entre si.

Resultado. A leveza no paladar e um final de boca aveludado estão entre as características mais perceptíveis dessa categoria de bebida.

Achei esta lista folheando a playboy da Fernanda Young. A revista convidou seis conhecedores (dois barmen, uma bartender, um jornalista, um químico e um especialista na bebida) para avaliar as preciosidades. Confiram.



 Ketel One

Origem: Holanda
Graduação alcoólica: 40%
Matéria-prima: trigo
Preço médio: R$135,00
A Ketel One foi criada por uma família holandesa cuja destilaria data de 1691. Ela continua sendo produzida nos alambiques de cobre usados em suas primeiras versões. O resultado é uma vodca alcoólica e clássica, segundo os degustadores.



Xellent
Origem: Suíça
Graduação alcoólica: 40%
Matéria-prima: centeio
Preço médio: R$ 200,00
Um dos segredos da Xellent é a água usada na fabricação, vinda dos Alpes suíços e considerada uma das mais puras do mundo. A matéria prima é composta por duas das melhores linhagens do centeio suíço. Seu sabor e seu aroma são mais pronunciados, e a garrafa vermelha chama atenção.



Grey Goose
Origem: França
Graduação alcoólica: 40%
Matéria-prima: trigo
Preço médio: R$ 149,00
Detentora de prêmios como o do Chicago Beverage Testing Institute, a vodka produzida na região de Cognac, na França, é feita com água proveniente das montanhas, filtrada através de rochas calcárias. Revelou principalmente suavidade na degustação.


Level
Origem: Suécia
Graduação alcoólica: 40%
Matéria-prima: trigo
Preço médio: R$ 140,00
Dos mesmos fabricantes da Absolut, a Level é elaborada a partir da combinação de dois processos: a destilação contínua e a destilação em pequenos lotes, realizada de forma artesanal, as quais fazem com que a bebida fique mais suave.



Wyborowa Exquisite
Origem: Polônia
Graduação alcoólica: 40%
Matéria-prima: centeio
Preço médio: R$ 155,00
Destilada em pequenas quantidades, a versão Exquisite da vodca polonesa Wyborowa tem como principal característica de sabor uma forte presença de sua matéria-prima, o centeio. O design da garrafa, criado pelo arquiteto americano Frank Gehry, é um de seus atrativos.


Cîroc
Origem: França
Graduação alcoólica: 40%
Matéria-prima: uva
Preço médio: R$ 162,40
A Cîroc é produzida a partir da destilação de dois tipos de uva, a mauzac blanc e a ungi blanc, cultivadas a grandes altitudes no sudoeste da França. A fabricação combina técnicas tradicionais do século 10 com métodos modernos. Sua quinta e última destilação é feita manualmente.


Belvedere
Origem: Polônia
Graduação alcoólica: 40%
Matéria-prima: centeio dourado
Preço médio: R$ 149,00
Feita com um tipo de grão encontrado apenas na região polonesa de Mazovia, produzida em pequenos lotes e filtrada em carvão, a belvedere segue a tradição centenária da produção de destilados na polônia. Seu nome, aliás, é uma homenagem ao palácio presidencial do país.

E a pergunta que não quer calar... Cadê a Komaroff nessa lista?!

surra de peru na cara

não sabia que faziam isso fora do sexo, haeuhaeuaehuaehaeuhuae

e eu que, até receber isso, achava que os e-mails que o pessoal do meu ex-trabalho mandava eram totalmente inúteis...

quinta-feira, 18 de março de 2010

como o Acaso afeta as nossas vidas?

você acreditaria se lhe dissessem que compreender o significado de um teorema de matemática pode lhe causar profundas reflexões sobre a sua própria vida, as quais podem implicar mudanças na sua visão do mundo à sua volta, e na maneira com que interage com ele?

pois é exatamente o que lhe digo a respeito de um resultado matemático, mais especificamente da Teoria das Probabilidades (que eu vi numa aula na semana passada), cuja aplicação filosófica prática, ao meu ver, é particulamente clara para responder a seguinte pergunta: como o Acaso influencia as nossas vidas?

obviamente, não vou enunciar matematicamente o teorema, mas lançarei mão de uma metáfora que explicita perfeitamente o seu significado.

pegue um macaco e tranque-o para todo o sempre numa sala vazia, que tenha apenas um computador com o Word aberto. precisamos de 3 hipóteses: o macaco é imortal; como ele não tem nada pra fazer, ele ficará apertando os botões do teclado aleatoriamente para sempre; finalmente, ele nunca apertará alt+F4 (isto é, não fechará a janela do Word), nem alt+Tab (não mudará de janela), nem desligará o computador, enfim, não fará nada que o tire da tela de digitar o texto.

agora pense num número natural N (isto é, 1, 2, 3, 4, ..., 6.596, ...), tão grande quanto você queira. digamos, por exemplo, N=1.000.000 (1 milhão).

o que o teorema diz é que se o macaco ficar trancafiado para sempre, então o "seu texto" (isto é, a sequência infinita de caracteres oriunda do seu pressionar aleatório de teclas) conterá a obra completa de Shakespeare (isto é, a sequência finita de caracteres de todos os seus livros e manuscritos ordenados segundo algum critério) N (ou seja, 1 milhão) de vezes consecutivas (isto é, a sequência de caracteres perfeita referente à obra completa se repetirá 1 milhão de vezes sem nenhum caractere "indesejado" entre as sequências) com probabilidade de 100% (o que quer dizer com certeza absoluta).

como a nossa noção de infinito é muito limitada, vou explicar o que quer dizer probabilidade de 100% caso ele fique pra sempre. vamos então tentar entender essas probabilidades em um tempo finito. como estamos lidando com probabilidades (e não com certezas), vamos escolher uma margem de erro da probabilidade de o evento A (que é o texto conter a obra completa 1 milhão de vezes seguidas) ocorrer. tomemos a margem tão pequena quanto a gente queira, por exemplo, de 0,001%. então o teorema afirma o seguinte: podemos calcular um número de anos M que, caso deixemos o macaco lá por M anos e voltemos para buscá-lo, então ele terá escrito a obra completa de Shakespeare completa 1 milhão de vezes consecutivas com 99,999% de certeza (isto é, 100% menos a margem de erro, a qual nós mesmo definimos).

ou seja, aquela coisa mais improvável, mais bizarra, acontecerá com quase toda a certeza se você esperar tempo suficiente.

espero que eu tenha me explicado de forma suficientemente simples e interessante a você leitor ter chegado a esse ponto de texto. qual a(s) moral(is) da história? vamos chegar lá, com calma.

se o Universo é determinístico (ou seja, se tudo "está escrito") ou não, isso é pergunta sem resposta. Kant, por exemplo, assumia não ser capaz de responder a essa pergunta, mas optou por assumir como axioma (isto é, uma verdade na qual se acredita sem poder se ter certeza de sua validade) que ele é não-determinístico. aqui não importa se ele o seja ou não; o relevante é que, aos nossos olhos e à nossa inteligência, o Universo é governado pelo Acaso.

uma primeira (e óbvia) conclusão do teorema seria que não podemos ter controle sob os acontecimentos da nossa vida, uma vez que estamos sujeitos à influência de infinitos fatores aleatórios. isso quer dizer que não importa se você fizer tudo pra evitar o acontecimento X ou fazer de tudo para que ele aconteça, ele (a não ser que você o impossibilite de acontecer ou garanta de alguma forma que ele acontecerá) continuará tendo alguma chance de acontecer ou não. portanto, você pode (e deve) fazer de tudo para aumentar ao máximo a chance de as coisas que você quer (respectivamente, as coisas que você não quer) acontecerem (respectivamente, não acontecerem), mas deve "lavar as mãos" se elas não acontecerem (respectivamente, acontecerem), uma vez que você fez o que estava ao seu alcance (não adianta chorar sob o leite derramado, adianta?).

a "felicidade" então, ao meu ver, seria uma reformulação do que geralmente entendemos por carpe diem.

felicidade (ou carpe diem): aproveitar ao máximo tudo o que está acontecendo de bom nesse momento, ignorar tanto quanto possível tudo de ruim que está acontecendo nesse instante, e, ao mesmo tempo, maximizar (respectivamente minimizar), a curto, médio e longo prazo, de acordo com as suas prioridades, a probabilidade de tudo o que você quer ocorra (respectivamente, de tudo o que você não quer não ocorra).

só pra voltar um pouco mais pra realidade: existem inúmeros casos de pessoas de sucesso que falharam MUITO antes de "se darem bem". por exemplo, existe um best-seller americano (de quem não me lembro o nome) que escreveu mais de 100 livros até que conseguisse publicar o primeiro. o ator Bruce Willis foi rejeitado como ator inúmeras vezes até que, por um golpe do Acaso, viajou para a Califórnia e lá foi "descoberto" por um diretor. enfim, o que esses caras fizeram foi tentar, tentar, tentar, tentar, tentar.. isto é, maximizar a sua probabilidade de dar certo: dessa maneira, com uma pequena ajuda do Acaso, nós podemos alcançar os nossos objetivos!

eu poderia abordar infinitas questões sob essa ótica, como por exemplo "a felicidade é a travessia?" (tratada pelo Will em Libertar-se) ou "os fins justificam os meios", mas não existem respostas precisas e cada argumento pode ter muitas minúcias, então deixo para você refletir. ademais, não quero pecar mais pelo excesso que já fiz.

caso se interesse pelo assunto, recomendo a leitura de O Homem Dos Dados, de Luke Rhinehart, e de O Andar do Bêbado, de Leonard Mlodinow. veja também o meu post sobre O Homem Dos Dados e algumas outras reflexões sobre o assunto. ainda relacionado a tudo isso, recomendo que leia Escolhas? e Punição do ótimo blog Controle Remoto.

sou tão apaixonado pelo assunto, que continuarei os meus estudos e a minha profissão nas áreas de Probabilidade e Estatística, com aplicações em Economia, Ciências Sociais, Filosofia, Psicologia, etc. saiu outro dia na SuperInteressante uma matéria explicando porque a Estatística é considerada a profissão do futuro: basicamente, como estamos na Era da Informação e envoltos em todos esses milhões de terabytes em dados, são necessárias pessoas que sejam capazes de extrair significado desses dados, ou seja, gerar informação a partir deles, em todos os campos de conhecimento. a reportagem afirma ainda que a maioria dos grandes pensadores do futuro serão estatísticos, pois boa parte das últimas grandes descobertas da Biologia (especialmente da Genética), da Medicina, das Ciências Sociais, da Economia, da Filosofia, etc., são oriundas da análise estatística de um volume imenso de dados.